Por indicação andei lendo o blog da Martha Medeiros. Estou amando!! Me vejo em várias palavras, frases e textos.
Acabei de ler um texto simples, mas muito legal. Quem nunca parou pra se perguntar: Quem sou eu? Acredito que todo mundo né! De vez em quando no pegamos pensando nas nossas atitudes, comidas que gostamos, pessoas, músicas, lugares e etc. E cada coisinha dessa nos descreve. Vou colocar o texto aqui para quem interessar possa:
Quem sou eu?
Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.
A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.
Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.
Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.
Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.
Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.
Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.
Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.
Você está fazendo sua lista? Tô esperando.
Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.
Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.
Agora é sua vez.
Inevitável durante a leitura não pensar um pouquinho em nós né? Então resolvi aceitar a sugestão da autora, e como a mesma disse, agora é minha vez:
Eu sou inverno, disparado. E ligeiramente verão. Estações transitórias.
Sou chocolate, azeitona e mate, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta.
Sou bala refrescante. Sou suco de laranja. Sou lasanha. Sou arroz. Sou club social com sorvete de chocolate. Sou bolo de limão. Sou hamburguer com ketchup e batata palha. Do churrasco, sou a carne bem passada.
Sou textos. Musicas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só BBB. Rádio. MPB. Samba e Pagode. Ivete Sangalo. Show. Teatro.
Sou rosa. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou ventilador de teto. Sou carro. Sou bicicleta. Sou à pé.
Sou lençóis e toalhas. Sou telefone. Sou computador. Perfumes. Esmaltes. Sou musculação. Sou céu. Estrelas. Sou Rio.
Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais doce que salgado, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais mate que refrigerante. Sou esmalte forte. Sou cara lavada. Sou eu mesma.
E fica aqui a sugestão... é sempre bom pensar um pouquinho no que somos.
Até....
domingo, 21 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Lua Nova Demais
Dorme tensa a pequena
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual mestruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem OB.
Tudo é nojo, medo,
misturação de "cadês."
E a cólica
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque,
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério.
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo.
E tem medo
de ser estuprada
pelos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado
dança pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante para ela:
"Se essa Lua se essa Lua fosse minha..."
Sonha em ser amada
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.
por Elisa Lucinda.
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual mestruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem OB.
Tudo é nojo, medo,
misturação de "cadês."
E a cólica
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque,
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério.
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo.
E tem medo
de ser estuprada
pelos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado
dança pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante para ela:
"Se essa Lua se essa Lua fosse minha..."
Sonha em ser amada
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.
por Elisa Lucinda.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Meninos São José
Toda criança me arrebata.
Toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor
e dele, desse amor,
morro de emoção.
Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual a flor,
mais do que criança ser da vida
a metáfora das coisas
e seu verdadeiro valor.
Vejo José pousando sobre a casa,
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no
colo o tempo todo...
evento de criança soprando a casa!
Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina, também Pedro, também
Clara, também Olívia, também Antônio, também Valentina,
também Lina, também João, também Luísa, também
Nicolau, também Juliano, Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara,
Vinícios, Leon, Irene, Natássia...
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
belas verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.
Belas!
Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo: que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora
acho que me diz respeito.)
Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas
delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem
em sua transparência natural!
José voa na casa e eu pulso
no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
todo filho do mundo
é um pouco filho meu!
Como me amolece o coração
barulho-som de grito de infância
no colégio de manhã!
Como é para o meu frio, lã,
uma mãozinha pequenina
dizendo pra mim dos caminhos...,
elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar,
me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?
Não mimem crianças em vez de amá-las,
para não adoecê-las,
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!
Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente
se chama umbigo.
Ai... toda criança
quando grita mamãe,
respondo: que foi?
(Acho que é comigo!)
por Elisa Lucinda.
Toda criança, por me olhar,
me arregaça as mangas do amor
e dele, desse amor,
morro de emoção.
Há nisso mais do que o fato
de criança ser igual a flor,
mais do que criança ser da vida
a metáfora das coisas
e seu verdadeiro valor.
Vejo José pousando sobre a casa,
as asas dele mudam o episódio lar.
Abraço o José em todo riso
e mesmo quando não o tenho no
colo o tempo todo...
evento de criança soprando a casa!
Eu fico com as pernas bambas
quando quem me aponta é uma criança.
José é Júlia, também Carolina, também Pedro, também
Clara, também Olívia, também Antônio, também Valentina,
também Lina, também João, também Luísa, também
Nicolau, também Juliano, Guilherme, Diogo, Jonas, Mayara,
Vinícios, Leon, Irene, Natássia...
José é todas as galáxias de meninos,
porque são só verdades,
belas verdades,
límpidas eternidades,
futuros mundos.
Belas!
Tenho vontade de defendê-las
das injustiças dos ditos maiores,
dos esticados que,
aprisionados,
querem aprisionar.
Por todo o sempre e agora,
toda criança quando chora,
respondo: que foi?
Quem não te tratou direito?
(Toda criança quando chora
acho que me diz respeito.)
Quero as palavras delas,
a nitidez sublime das conversas
delirantes e sábias,
quero os descobrimentos que trazem
em sua transparência natural!
José voa na casa e eu pulso
no ventre como uma grávida perene, meu Deus,
todo filho do mundo
é um pouco filho meu!
Como me amolece o coração
barulho-som de grito de infância
no colégio de manhã!
Como é para o meu frio, lã,
uma mãozinha pequenina
dizendo pra mim dos caminhos...,
elazinha dentro da minha,
como o dia carregando a noite e seu luar,
e aquela vozinha sem gastar,
me pedindo com carinho e desamparo:
me leva lá?
Não mimem crianças em vez de amá-las,
para não adoecê-las,
para não encouraçá-las!
Não oprimam crianças na minha frente,
vou interferir, vocês vão se danar,
vou escancarar!
Não usem criança na minha presença,
tomarei o partido delas,
não terão minha parcimônia,
não vou compactuar!
Não cunhem nelas a tirania,
eu vou denunciar!
Sou maternal de universo,
mil crianças caminham comigo!
Sou árvore cuja semente
se chama umbigo.
Ai... toda criança
quando grita mamãe,
respondo: que foi?
(Acho que é comigo!)
por Elisa Lucinda.
Começando...
Fiz esse blog com a intenção de postar nele alguns dos textos que eu, particularmente, acho maravilhosos. E algumas palavras minhas também. De vez em quando me dá uma vontade de falar.. falar.... e talvez esse seja o melhor meio para isso, já que na maior parte do tempo a timidez toma conta de mim.
Para começar, vou colocar um texto da Elisa Lucinda que se chama 'Meninos São José', ele aborda um dos assuntos que mais me interessam, e sinceramente, que também me preocupa muito. Crianças. Existe coisa melhor? Não. O que pode ser melhor do que aquele olhar sincero, inocente, sem maldade. Fazer brotar um sorriso no rosto de uma criança é um dos melhores presentes do universo. É muito triste ler um jornal e ver estampado na capa, que uma mãe ou pai matou um filho. Mãe ou pai não, por que quem faz tal coisa não pode ser chamado assim, é sim um ser humano sem sentimentos. Ou então ver funcionárias de creche maltratando crianças. Que coisa mais absurda! Fico totalmente revoltada com essas situações, e acredito que não só eu. Infelizmente se pesquisarmos o passado dessas pessoas, capazes de fazer tal crueldade, veremos que provavelmente passaram pelo mesmo, não tiveram uma educação adequada. Onde vamos parar? Ouvimos tanto que as crianças são o futuro da nossa nação. Mas que futuro será esse? Hoje em dia essas crianças crescem em meio a violência, maldade, sem educação. É esse futuro que queremos? Acredito que não. Não adianta apenas falar que queremos um futuro melhor e que elas são o nosso futuro, temos que fazer por onde! Elas precisam de atenção, de amor, carinho, educação. Educação não somente do ponto de vista repeito ao próximo e etc, mas um estudo adequado também, coisa que atualmente o governo não nos proporciona, o que é obrigação dele! Vergonha total!
Mas é isso aí, se pelo menos cada um de nós fizer sua parte, alguma coisa podemos mudar!
O texto vem no próximo post....
Para começar, vou colocar um texto da Elisa Lucinda que se chama 'Meninos São José', ele aborda um dos assuntos que mais me interessam, e sinceramente, que também me preocupa muito. Crianças. Existe coisa melhor? Não. O que pode ser melhor do que aquele olhar sincero, inocente, sem maldade. Fazer brotar um sorriso no rosto de uma criança é um dos melhores presentes do universo. É muito triste ler um jornal e ver estampado na capa, que uma mãe ou pai matou um filho. Mãe ou pai não, por que quem faz tal coisa não pode ser chamado assim, é sim um ser humano sem sentimentos. Ou então ver funcionárias de creche maltratando crianças. Que coisa mais absurda! Fico totalmente revoltada com essas situações, e acredito que não só eu. Infelizmente se pesquisarmos o passado dessas pessoas, capazes de fazer tal crueldade, veremos que provavelmente passaram pelo mesmo, não tiveram uma educação adequada. Onde vamos parar? Ouvimos tanto que as crianças são o futuro da nossa nação. Mas que futuro será esse? Hoje em dia essas crianças crescem em meio a violência, maldade, sem educação. É esse futuro que queremos? Acredito que não. Não adianta apenas falar que queremos um futuro melhor e que elas são o nosso futuro, temos que fazer por onde! Elas precisam de atenção, de amor, carinho, educação. Educação não somente do ponto de vista repeito ao próximo e etc, mas um estudo adequado também, coisa que atualmente o governo não nos proporciona, o que é obrigação dele! Vergonha total!
Mas é isso aí, se pelo menos cada um de nós fizer sua parte, alguma coisa podemos mudar!
O texto vem no próximo post....
Assinar:
Postagens (Atom)